quarta-feira, novembro 18, 2009

da sharpness cruel e fria

Descobrindo-me quite cegueta procedeu-se toda a procissão para a aquisição do artefacto envidrado que supostamente toda pessoa quite cegueta deve almejar com furor d'alma.


(aquele que nunca precisou experimentar filas infindas de óculos não entende o q é uma procissão de fé)




Por vezes incontáveis pensei ficar cegueta mesmo, dane-se.


(e o engraçado msm é q qndo meninoca sempre quis os tais vidrinhos. freud digs me.)


Mas então, por vezes e vezes estava eu no "dane-se" qndo redações pululavam em minha mente - redações que precisariam ser lidas, re-lidas e avaliadas - e eu perdia a coragem de chutar a menininha bem criada e escutava minha própria voz autômata. "Posso ver o da direita?"


(saco monoclo ser tão pasè)




Bom, bombons, um pouco antes do Atlântico consegui as gafas tais que agora choro.


(sim, já me disseram 'way too whiny' e sim, drama queen é epíteto aceitável - hell, at least there's 'queen' in it)


Choro, whine-o e reclamo pq estranho ver o mundo enquadrado. como obra mestra. Estranho a nitidez sólida de tudo e todos à minha volta. Estranho a crueldade das formas definidas e a fria objetividade daquilo que antes só se podia blurry poeticidade.


Ganhei óculos, que quando menina tanto queria, e perdi a magia das bordas inexatas.



(talvez não visse o mundo, mas o sentia, cazzo.)

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